
Onde estiver o nosso coração, ali estará o nosso tesouro, palavras de Jesus Cristo.
Buda disse que todas as coisas na vida e no mundo estão em constante mutação, por isso não devemos nos apegar a elas.
O sofrimento vem quando nos fixamos a algo ou a alguém e a vida de iluminação é o caminho do desapego, porque muitos dos problemas da vida são causados pelo apego.
Quando nos desapegamos, além de deixar algo ou alguém livre, por tabela nos libertamos de sermos os guardiães daquele tesouro e nos tornamos livres também.
Desapego, no entanto, não é indiferença, principalmente quando se trata de amor, de situações que envolvam outras pessoas, seres amados.
Uma das mais lindas definições de amor que conheço, foi feita por Paulo (o apóstolo) e diz assim:
O amor é paciente e bondoso. Não é invejoso, nem orgulhoso; não é arrogante, nem grosseiro. O amor não exige que se faça o que ele quer.
Não é irritadiço e dificilmente suspeita do mal que os outros lhe possam fazer.
O amor nunca desiste, nunca perde a fé, tem sempre esperança e persevera em todas as circunstâncias.
Pra mim, desapego nesse caso, é deixar correr livre, é desejar o bem do outro, mesmo que ele não volte pra gente.
É respeitar que ele aja como pode agir, sem com isso impor nossas exigências.
É ver se é possível conviver com isso ou não e se desapegar.
Existe uma famosa história zen sobre um mestre e seu discípulo.
Os dois estavam a caminho da aldeia vizinha quando chegaram a um rio caudaloso e viram na margem, uma bela moça tentando atravessá-lo.
O mestre zen ofereceu-lhe ajuda e, erguendo-a nos braços, levou-a até a outra margem. E depois cada qual seguiu seu caminho. Mas o discípulo ficou bastante perturbado, pois o mestre sempre lhe ensinara que um monge nunca deve se aproximar de uma mulher, nunca deve tocar uma mulher.
O discípulo pensou e repensou o assunto; por fim, ao voltarem para o templo, não conseguiu mais se conter e disse ao mestre:
— Mestre, o senhor me ensina dia após dia a nunca tocar uma mulher e, apesar disso, o senhor pegou aquela bela moça nos braços e atravessou o rio com ela.
— Tolo – respondeu o mestre – Eu deixei a moça na outra margem do rio. Você ainda a está carregando.
Deixe ir...deixar ir... uma luta ou um relaxamento tão pleno que nos liberta sem que percebamos?
Juro que ainda não sei, mas quero um coração livre, pleno e absolutamente desapegado.




































