
Pra aqueles que me acompanham, seja através deste meu diário eletrônico ou na minha vida pessoal, gostaria de dar uma breve explicação sobre o meu recente sumiço.
Tem horas em que palavra alguma no mundo, seja no idioma que for, é capaz de expressar o que se passa dentro da gente.
Talvez a música seja o meio que mais se aproxima de dar conta dessa árdua missão.
Mas aqui e também na vida, não sou capaz de compor uma melodia que traduza em sons, compassos e pausas o que vai dentro de mim... uma pena.
Quando eu tinha vinte e poucos anos, tinha certeza absoluta de que poderia tudo! Absolutamente tudo! Tinha certeza de que o mundo se dobraria à minha força de vontade, à minha (famosa) obstinação.
Tive muitos sucessos, devo dizer. Muitas coisas assim foram, mas eu ainda não tinha vivido o suficiente pra saber que nem sempre seria assim.
Aos trinta e poucos precisei e de fato dei uma grande virada na minha vida. Se eu tivesse pensado muito nas conseqüências que isso traria, talvez tivesse ficado paralisada de medo, por isso não pensei tanto e agi mais.
Hoje estou na faixa dos quarenta e tantos anos e percebo em meu livro de memórias, no meu rol de achados e perdidos, perdas e ganhos que acumulei.
Confesso que não é muito confortável abrir o livro, porque certas feridas traiçoeiras cicatrizam por fora enquanto ainda sangram por dentro. Mas assim é.
Não me considero uma pessoa competitiva. Nunca fui. Faço mais o estilo autêntico e individualista, porém não gosto de perder, aliás como ninguém.
Só que na maioria das vezes não importa o que a gente gosta, as coisas são como elas são. E ponto final... e eu odeio pontos finais!
Os pontos finais sinalizam que acabou, que não tem mais jeito que é isso aí e acabou. E eu não gosto disso, não gosto de ter a sensação de que não há mais nada a ser feito... efeitos da famosa obstinação.
Sou daquelas que até podem se arrebentar ao cair do 50º andar, mas durante a queda livre tentam voar, mesmo sabendo ser impossível!
Nesses últimos dias andei contabilizando algumas perdas e ganhos e fazendo um balanço do rescaldo de tudo. E precisei sumir. Ficar quieta. Calar pra poder me ouvir.
E ainda estou me ouvindo. Aliás, tentando, porque há muitas vozes internas que me atordoam, umas me pondo medo da mudança, do desconhecido, outras me atiçando a arriscar outra vez. Mas continuo tentando fazê-las calar pra que eu possa realmente ME ouvir.
Há um ditado antigo que diz que "passarinho na muda não canta", e eu estou igual a passarinho: não posso cantar.
Vou continuar passando por aqui assim como der, até que a minha contabilidade interna esteja feita e que eu reencontre o caminho a seguir.
Obrigada àqueles que carinhosamente me acolhem e que seguem o meu diário.
Um beijo carinhoso e, espero, até logo mais...



































