Desapego


Onde estiver o nosso coração, ali estará o nosso tesouro, palavras de Jesus Cristo.
Buda disse que todas as coisas na vida e no mundo estão em constante mutação, por isso não devemos nos apegar a elas.
O sofrimento vem quando nos fixamos a algo ou a alguém e a vida de iluminação é o caminho do desapego, porque muitos dos problemas da vida são causados pelo apego.
Quando nos desapegamos, além de deixar algo ou alguém livre, por tabela nos libertamos de sermos os guardiães daquele tesouro e nos tornamos livres também.
Desapego, no entanto, não é indiferença, principalmente quando se trata de amor, de situações que envolvam outras pessoas, seres amados.
Uma das mais lindas definições de amor que conheço, foi feita por Paulo (o apóstolo) e diz assim:
O amor é paciente e bondoso. Não é invejoso, nem orgulhoso; não é arrogante, nem grosseiro. O amor não exige que se faça o que ele quer.
Não é irritadiço e dificilmente suspeita do mal que os outros lhe possam fazer.
O amor nunca desiste, nunca perde a fé, tem sempre esperança e persevera em todas as circunstâncias.
Pra mim, desapego nesse caso, é deixar correr livre, é desejar o bem do outro, mesmo que ele não volte pra gente.
É respeitar que ele aja como pode agir, sem com isso impor nossas exigências.
É ver se é possível conviver com isso ou não e se desapegar.
Existe uma famosa história zen sobre um mestre e seu discípulo.
Os dois estavam a caminho da aldeia vizinha quando chegaram a um rio caudaloso e viram na margem, uma bela moça tentando atravessá-lo.
O mestre zen ofereceu-lhe ajuda e, erguendo-a nos braços, levou-a até a outra margem. E depois cada qual seguiu seu caminho. Mas o discípulo ficou bastante perturbado, pois o mestre sempre lhe ensinara que um monge nunca deve se aproximar de uma mulher, nunca deve tocar uma mulher.
O discípulo pensou e repensou o assunto; por fim, ao voltarem para o templo, não conseguiu mais se conter e disse ao mestre:
— Mestre, o senhor me ensina dia após dia a nunca tocar uma mulher e, apesar disso, o senhor pegou aquela bela moça nos braços e atravessou o rio com ela.
— Tolo – respondeu o mestre – Eu deixei a moça na outra margem do rio. Você ainda a está carregando.
Deixe ir...deixar ir... uma luta ou um relaxamento tão pleno que nos liberta sem que percebamos?
Juro que ainda não sei, mas quero um coração livre, pleno e absolutamente desapegado.

Quando a Vida era Cor-de-Rosa


Quando eu tinha uns 13 anos de idade, durante uma Festa Junina de escola, recebi um bilhetinho chamado "Correio Elegante", onde se lia a seguinte frase: - Você quer namorar comigo?
Tomei um baita susto porque embora eu fosse das últimas da turma a entrar pro rol das que já namoravam (?!) eu ainda era muito criança, brincava de boneca e de casinha às escondidas.
Eu não conhecia o menino pessoalmente, ele era amigo de um amigo. Na verdade era assim que a coisa acontecia na minha turma paulistana dos anos 70.
Pra encurtar o relato, encorajada pelas amigas, mandei um bilhete de volta dizendo que sim, podia-se ver isso.
O "namoro" em si foi muito peculiar e muito bonitinho, porque hoje quando eu penso nele, sei que nem chegou a ser namoro. Foi uma amizade mais próxima e carinhosa e pouco mais que isso.
De qualquer forma, pra efeitos de dados biográficos, esse foi oficialmente o meu primeiro namorado.
Faltou dizer que eu estudava no período da manhã e ele no da tarde, então nós só podíamos nos encontrar aos finais de semana, sempre em turma de amigos, com irmã mais nova a tiracolo e com uma mãe atenta e protetora às minhas costas.
Décadas se passaram e um dia eu reencontro o tal gajo. Quarenta anos depois!
Por uma dessas coincidências da vida ele, que hoje é engenheiro, acabou trabalhando em emissoras de TV, meu habitat de produtora.
Reencontro muito grato e muito livre de segundas intenções, apenas uma certa nostalgia daquela época de colégio, dos bailinhos, das músicas de então. Muito bom.
Descobrimos que ambos já fomos casados uma vez e divorciamos e que ambos casamos pela segunda vez, embora ele insista em dizer que o caso dele é diferente porque ele e a companheira não dividem o mesmo teto, já que moram em cidades diferentes. Enfim... questões de pura nomenclatura.
Contei essa história mas o que eu queria de fato enfatizar foi a frase que "li" dele, já que nosso contato esporádico se dá via Skype, ele em São Paulo eu em Floripa.
Dia desses, quando eu reclamava de certas coisas que andavam acontecendo ele me disse algo desse tipo:
- Luciana, nos venderam a idéia de uma vida cor-de-rosa há muito tempo e nós a compramos. Mas hoje, passados tantos anos, você ainda continua nessa? Não percebe que a vida é assim cheia de percalços e de falhas humanas, incluindo as nossas próprias? Vai continuar insatisfeita por não encontrar o padrão de perfeição ou vai aceitar a coisa como ela é e ser feliz? Talvez fosse hora de olhar pra frente e refazer seus conceitos e deixar aquele padrão irreal pra trás.
Imagino que isso pareça extremamente óbvio pra qualquer um, mas pra mim, naquele momento, não era. E isso me fez acordar!
Bom, confesso que tenho que ser acordada de vez em quando, porque minha maldita tendência é voltar a sonhar cor-de-rosa... um saco!
Posso até ser cabeça dura muitas vezes, mas burra eu não sou e, nesse caso, percebi que ele tinha razão: a vida não é cor-de-rosa, mas feita de infinitos tons de cinza, como sempre me diz o meu marido.
Continuo aprendendo, crescendo, me debatendo com idéias diferentes das minhas, refletindo, apanhando, chorando muito (característica minha, fazer o que?) e sendo grata por poder mudar e fazer as mesmas coisas de jeitos diferentes e melhores.
A vida pode não ser cor-de-rosa, mas pensando bem, as fotos mais bacanas continuam sendo em preto e branco...

Saudades de Mim


Dentre tantos amigos queridos e presentes que tenho, um deles me ligou via Skype outro dia, pra dizer que "Deus tem saudades de mim".
Pode parecer estranho, mas essa frase faz muito sentido pra mim.
Se você é daqueles que entende que Deus é a figura criadora, universal, eterna e complexa do que se chama Vida, faz sentido que essa pessoa sinta saudades daquilo que você originalmente foi criado pra ser.
Pensei nisso e concordei, porque até eu mesma tenho sentido saudades de mim.
Da Luciana que se sente leve, feliz, que fala o que pensa e o que sente, que volta atrás quando erra, que chora quando precisa, que se derrama em emoções e que não sente receio de simplesmente ser quem é.
Tenho reencontrado muitos amigos com quem não me comunicava há mais de dez anos e todos eles demonstraram muita alegria nesse reencontro, talvez porque eles ainda tenham a forte lembrança de quem eu sou.
Pena que eu mesma já não a tenha mais.
Como quem procura um ser querido, estou à procura de mim porque a saudade é grande e eu preciso me encontrar outra vez.
A importante contribuição daqueles que me conhecem bem é fundamental pra que eu possa reconstruir a minha própria auto-imagem, perdida pelo caminho.
Saudades de mim...

Perdas e Ganhos


Pra aqueles que me acompanham, seja através deste meu diário eletrônico ou na minha vida pessoal, gostaria de dar uma breve explicação sobre o meu recente sumiço.
Tem horas em que palavra alguma no mundo, seja no idioma que for, é capaz de expressar o que se passa dentro da gente.
Talvez a música seja o meio que mais se aproxima de dar conta dessa árdua missão.
Mas aqui e também na vida, não sou capaz de compor uma melodia que traduza em sons, compassos e pausas o que vai dentro de mim... uma pena.
Quando eu tinha vinte e poucos anos, tinha certeza absoluta de que poderia tudo! Absolutamente tudo! Tinha certeza de que o mundo se dobraria à minha força de vontade, à minha (famosa) obstinação.
Tive muitos sucessos, devo dizer. Muitas coisas assim foram, mas eu ainda não tinha vivido o suficiente pra saber que nem sempre seria assim.
Aos trinta e poucos precisei e de fato dei uma grande virada na minha vida. Se eu tivesse pensado muito nas conseqüências que isso traria, talvez tivesse ficado paralisada de medo, por isso não pensei tanto e agi mais.
Hoje estou na faixa dos quarenta e tantos anos e percebo em meu livro de memórias, no meu rol de achados e perdidos, perdas e ganhos que acumulei.
Confesso que não é muito confortável abrir o livro, porque certas feridas traiçoeiras cicatrizam por fora enquanto ainda sangram por dentro. Mas assim é.
Não me considero uma pessoa competitiva. Nunca fui. Faço mais o estilo autêntico e individualista, porém não gosto de perder, aliás como ninguém.
Só que na maioria das vezes não importa o que a gente gosta, as coisas são como elas são. E ponto final... e eu odeio pontos finais!
Os pontos finais sinalizam que acabou, que não tem mais jeito que é isso aí e acabou. E eu não gosto disso, não gosto de ter a sensação de que não há mais nada a ser feito... efeitos da famosa obstinação.
Sou daquelas que até podem se arrebentar ao cair do 50º andar, mas durante a queda livre tentam voar, mesmo sabendo ser impossível!
Nesses últimos dias andei contabilizando algumas perdas e ganhos e fazendo um balanço do rescaldo de tudo. E precisei sumir. Ficar quieta. Calar pra poder me ouvir.
E ainda estou me ouvindo. Aliás, tentando, porque há muitas vozes internas que me atordoam, umas me pondo medo da mudança, do desconhecido, outras me atiçando a arriscar outra vez. Mas continuo tentando fazê-las calar pra que eu possa realmente ME ouvir.
Há um ditado antigo que diz que "passarinho na muda não canta", e eu estou igual a passarinho: não posso cantar.
Vou continuar passando por aqui assim como der, até que a minha contabilidade interna esteja feita e que eu reencontre o caminho a seguir.
Obrigada àqueles que carinhosamente me acolhem e que seguem o meu diário.
Um beijo carinhoso e, espero, até logo mais...

Se achar e se perder


Cara, ando pensando muito nessa nóia, nessa coisa de a gente se perder do outro.
Não é só de um outro qualquer, mas do outro, daquele outro que a gente lutou pra encontrar desde que cruzou o olhar pela primeira vez.
No começo foi assim: um olhar, um sorrisinho sem jeito, uma aproximação cautelosa, conversas superficiais, vontade de chegar mais junto.
Depois os primeiro encontros, o cheiro do perfume, o toque da pele, o tom da voz e os olhares mais intensos.
Em seguida a volúpia, a paixão, o desejo ensandecido de não apenas estar perto, mas de estar junto... estar dentro de um corpo só.
E depois de um tempo fica só a pergunta: onde é que nós fomos parar?
Como duas pessoas que se acharam tanto, podem se perder assim?
Não sei ao certo, tenho apenas algumas pistas, mas juro que vale a pena voltar a procurar... como uma verdadeira caça ao tesouro.

Afeto


Hoje meu dia foi extremamente especial.
A impressão que tive foi a de que vários amigos meus (muitos que nem se conhecem entre eles, outros com quem não falo há mais de 15 anos!) resolveram, de comum acordo, entrar em contato comigo e me trazer montanhas de alegria!
Mensagens por e-mail, pelo Facebook (no qual sou nova), pelo celular, telefone, até pessoalmente.
Todos demonstrando o quanto sentem a minha falta, querendo saber como eu estou, se oferecendo por me ajudar.
Coisa louca. Louquíssima.
Parece até que foi mesmo combinado.
Mas não foi.
De vez em quando, receber uma cesta cheia de amor vale mais do que tudo!
E foi isso o que me aconteceu hoje durante todo o dia.
Foi isso que recebi durante a deliciosa visita do meu irmão Gugu, da minha cunhada-irmã Anna Carolina e do meu sobrinho João Pedro no fim de semana.
A família reunida, com exceção do meu marido que está viajando.
Mãe, padrasto, filhos, irmãos, sobrinhos, cunhados... tudo de bom!
Hoje, conversando com minha amiga Patrícia, chegamos à conclusão de que crescemos, amadurecemos e isso só se deu por causa dos tombos que levamos.
Depois disso, não temos mais tanta certeza do que é certo ou errado com relação à vida dos outros, porque só quem está dentro da situação é que pode saber o que deve e o que pode fazer.
O perdão opera então de forma especial, é compreendido de forma plena.
Quando aprendemos a perdoar a nós mesmos, aí então podemos perdoar os outros e a vida pode fluir com harmonia.
Eu não sabia disso antes, porque a juventude é cega dentro de suas certezas.
Mas hoje sei e agradeço por cada dor que sofri e sofro, porque afinal de contas foram elas que me trouxeram a essa perfeita conclusão.
Grande dia. Grandes reencontros. Grandes amigos e amores.
Obrigada!

Prudência Egoísta


Já escrevi sobre se arriscar e o medo que isso dá.
Hoje recebi um email da minha amiga Heloiza, com um frase do Carlos Drummond de Andrade.
Poeta eficientíssimo, deixa claro o seu recado:
...."A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."

Walk, Forest, Walk


Forest Gump corria.
E muito.
De nenhum lugar pra lugar nenhum.
Simplesmente corria.
Corria e se mantinha vivo.
Eu resolvi andar.
Sei de onde estou saindo, apesar de não saber ainda pra onde estou indo.
Mas vou.
Sensação boa, de poder chegar aonde se quer sem precisar de nada além das próprias pernas.
Já fiz isso uma vez. No sentido figurado, é claro.
Saí sem dinheiro, sem emprego, sem saber de quase nada.
Só com a cara e a coragem que, aliás, estava grande.
Naqueles tempos eu corri.
Corri e cheguei.
Fiquei nessa um bocado de tempo.
Tempo demais?
Não sei dizer.
O tempo necessário, eu diria.
E agora já é hora de partir.
Mas, desta vez, não vou correr.
Melhor andar, apreciando a paisagem.
Fica mais fácil corrigir erros de percurso, desfrutar as companhias que eventualmente aparecem pelo caminho.
Meu lema agora é: Walk, Forest, walk!

Faxina Geral


Dia lindo. Sol brilhante.
Ótimo pra abrir todas as portas e janelas.
Vento quentinho entrando.
Família reunida organizando a casa.
Limpa. Lava. Seca. Ajeita.
Aos poucos o coração vai se desfazendo da poeira também.
Teias de aranha do pensamento sendo tiradas, dando lugar à organização.
Música alta tocando, água e sabão fazendo bolhas voarem pelo ar.
Corpo cansado, suor.
Sensação de dever cumprido, de ter dado conta de tudo.
Cansaço bom, preguiça chegando.
Alma leve e sorridente.
Eu sabia que o vento traria mudanças favoráveis.

Terapias

Divã de Freud

Raramente freqüento salões de beleza. Por não dispor de paciência e nem de grana.
Hoje, no entanto, estava eu a dedicar uma hora preciosa do meu dia, para um tratamento facial.
Uma hora de boca fechada e olhos fechados, pensando com meus botões.
Na sala ao lado, separada por uma fina parede divisória, estavam outras duas mulheres tratando alguma outra parte do corpo.
Com certeza não era o rosto, porque tanto a esteticista quanto a cliente podiam falar à vontade. E foi o que fizeram.
Ouvi uma acalorada conversa sobre a vida alheia, como se as duas estivessem muito bem inteiradas da vida da tal moça.
Cheguei a pensar que as duas fossem amigas fora dali, o que explicaria a intimidade com essa terceira.
Mas que nada, quando percebi vi que elas falavam sobre a novela das 8 e a tal moça era a personagem interpretada pela atriz Taís Araújo.
Não acreditei.
Juro!
O envolvimento das duas era tão intenso, tão acalorado que me fez pensar que elas estavam preocupadas com uma amiga.
Segue um pouco mais e elas começam a falar sobre as coisas do coração e de suas expectativas.
Uma está cansada de estar só, sem um amor pra chamar de seu. A outra vem na mão oposta: está rifando um namorado de quem não gosta mais.
Terapia de salão de beleza, de mesa de bar, de qualquer rodinha onde se encontrem duas ou mais mulheres.
As mulheres têm o poder de se analisar mutuamente e o ato de pôr em palavras o que sentem, ajuda a compreender o que se passa no interior.
O tempo acabou e eu saí de lá com o rosto reluzente, hidratadíssimo.
As outras duas devem ter saído reluzentes também na alma.

Risco


Durante a infância, enquanto minha irmã Beth se arriscava de bike pela rua, eu ficava em casa lendo o que encontrava pela frente e correndo à janela quando ouvia uma freada brusca de automóvel, temendo que fosse um acidente com ela.
Sempre admirei as pessoas que se arriscam, muitas vezes desafiando as probabilidades e o seu próprio medo.
Pra você ter uma idéia, meu primeiro "amor" de infância foi uma garoto da pré-escola que um dia subiu no escorregador e se atirou lá de cima, dizendo que era o Super Homem.
Desnecessário dizer que isso o afastou da escola por uns dias, somando alguns pontos cirúrgicos ao seu queixo!
Mas o fato é que pessoas corajosas sempre me encantaram.
Hoje participei de uma brincadeira na qual você envia um e-mail para seus amigos, pedindo que eles o definam em uma só palavra.
Me surpreendi ao receber respostas dizendo que sou "guerreira" e "corajosa".
Não me vejo assim.
Na verdade muitas vezes me vejo assustada e apenas reagindo furiosamente ao que acontece à minha volta.
Se é verdade que a propaganda é a alma do negócio, então eu devo ter feito uma campanha bem eficiente e bem enganosa a meu próprio respeito.
Como disse minha amiga Helô, quando a gente não tem coragem de fazer alguma coisa, faz sem coragem mesmo, mas faz.
E é isso que estou tentando fazer.
Nunca fui capaz de subir numa prancha de skate e me lançar, ou num trampolim bem alto e pular na piscina. Nem em montanha russa eu subo!
Mas parece que, na vida, não to me saindo tão mal...

Afogados


É de conhecimento comum que quando duas pessoas estão lutando para não se afogar, não podem se ajudar.
No desespero de ficar à tona, de alcançar a atmosfera para respirar, no agitar de braços e pernas com medo de sucumbir, não é possível olhar o outro e fazer algo por ele.
Quando um está sem base, sem chão, não tem como ter firmeza para sustentar o outro, apesar de desejar fazê-lo.
Essa imagem, para mim, remete às crises que muitas vezes vivemos em nossos relacionamentos.
Sejam eles entre pais e filhos, entre amigos ou amantes, não raro nos encontramos como os afogados: buscamos ajuda do outro, o qual não pode oferecer nada porque também necessita da nossa ajuda, pois se encontra em situação similar.
O que fazer?
A quem pedir socorro?
Uma das coisas que mais fazem falta nesse momento é manter a calma.
Sabe-se que em momentos de emergência ou de catástrofe, as pessoas que conseguem manter a calma costumam ter mais chance de sobrevivência.
Se o afogado pudesse relaxar um pouco, talvez pudesse boiar e então recobrar suas forças.
Há momentos em que a ajuda demora um pouco mais a vir e é nessa hora que manter a calma, faz toda a diferença.
Respirar, não tirar conclusões apressadas, não agir... são todas preciosas bóias de salvação das quais podemos dispor.
Como diz minha mãe, "nada é mais escuro do que a meia-noite".
E a meia-noite é só um momento. Ele passa.
Então, pro dia de hoje, fica pra gente o conselho: respira...respira...respira.
Ou, como diz minha amiga Cida: epira!
Uma linda semana pra nós!

Disfarces


Sabe aquela expressão "lobo em pele de cordeiro"?
Refere-se a alguém que disfarça suas intenções maliciosas sob uma aparência inofensiva.
O contrário também existe, embora não possua uma expressão própria.
Refiro-me a uma pessoa frágil e delicada que, por razões variadas, se deixa encobrir por uma pele de urso, até como forma de auto-proteção.
O problema é que, neste segundo caso, o disfarce é mesmo assustador, escondendo bem demais o que vai por baixo dele.
Pessoas assim, não costumam receber o afago necessário, nem o olhar mais atencioso do outro.
Nisso o lobo em pele de cordeiro leva vantagem, atraindo pra si todas as delicadezas do mundo.
Pelo menos até ser descoberto.
Quem me conhece sabe bem a que grupo pertenço.
Mas confesso que às vezes cansa...

Cheers!

Anel Sex on the Beach e Blue Hawaian

Olha só essas jóias!
Remetem a drinks divinos, prontos pra beber.
"A Piaget, grife suíça de jóias, converteu anéis em drinks. A coleção Limelight Paradise é um bom exemplo da meta de algumas empresas para atrair pelo inusitado. Inspirada e esculpida nos moldes do clássico coquetel “Sex on the Beach”, a peça é feita com turmalina, esmeralda e diamantes. Há também outras “bebidas” como a caipirinha. Com exceção do drink Blue Hawaian, os anéis/coquetéis são feitos com mais de 210 diamantes incrustados, ouro branco e uma grande pedra preciosa."
Minha amiga Maria disse que ela só compraria se eles contivessem bebida de verdade, pra aqueles intermináveis momentos que passamos em filas de banco ou ainda para driblar conversas chatas....rs!
Saúde! Prost! Cheers!

Belfast Child



Lindíssima música do Simple Minds…. Enjoy it!

Recolhimento

Mandala de origem celta, que simboliza o Recolhimento

Todo bom estrategista sabe que há momentos de avançar e momentos de recuar, de recolher.
Ganhar uma guerra pode incluir perder algumas batalhas.
A mesma ânsia que temos e que serve para conquistar nosso objetivo, pode se tornar a responsável por afastá-lo de nós, no momento em que se impõe sobre o que é razoável, atropelando tudo.
Confesso que, se por um lado, uma das minhas qualidades é saber o que quero e ter a obstinação necessária para alcançá-lo, por outro às vezes perco o momento de me calar e de me recolher, respeitando o tempo das coisas.
Impulsiva e energética, não raro atropelo as coisas e as pessoas sem me aperceber disso.
Consciente que estou, decidi embarcar no árduo processo de aprendizado do recolhimento e do silêncio.

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Eu era criança de uns 8 ou 9 anos, suponho, e estava na casa de uma tia avó paterna, de nome Georgina.
Ela tinha cabelos bem brancos, presos por um coque e usava vestidos de gola alta, fechados até o pescoço, sempre de cor escura.
Embora sua aparência fosse austera, tia Georgina era extremamente sensível. Poetisa, uma das primeiras professoras do famoso Instituto Caetano de Campos, jamais se casara, o que permitiu a ela ter tempo para os sobrinhos e agregados.
Não lembro bem o que eu fazia em sua casa naquele dia, porém lembro da visita de um sobrinho dela, cujo nome não me recordo agora, e que a procurou porque precisava urgentemente de alguém com quem compartilhar a sua dor.
Sempre gostei de ouvir conversa de adultos. Talvez o conteúdo mais denso combinasse com o meu universo não tão infantil.
Aquela conversa, no entanto, me deixou assustada.
O tal sobrinho conversava com a tia Georgina num tom quase sussurrante, enquanto ela o ouvia atenta e pacientemente, sentada em sua cadeira preferida.
Ele tentava expressar a intensidade da dor que sentia e, pela primeira vez na minha vida, ouvi o nome da tal dor dilacerante: angústia.
Eu nunca tinha ouvido falar nela, nem sabia que existisse algo invisível que fizesse doer tanto dentro da gente.
Ouvi o relato com muita compaixão por ele.
Apesar de eu não ter idéia do que fosse aquilo, percebia o quanto fazia sofrer.
Não recordo como a visita terminou, o que a tia Georgina falou pra ele, mas lembro de vê-lo se despedindo e indo embora com semblante mais sereno.
Há momentos em que ninguém pode arrancar a dor que sentimos. Não há remédio que a faça passar. Mas o fato de termos alguém com quem compartilhar essa dor, botando pra fora um pouco de sua toxina, faz toda a diferença.

Mornin'



Nada como iniciar o dia com uma canção linda como esta: Mornin', cantada por Al Jarreau.
Sempre que ouço essa música me sinto mais leve e mais feliz.
E é isso que desejo pra você também... Chova ou faça sol.
Bom dia!!!

Taj Mahal


Para os que ainda não conhecem sua história, o Taj Mahal é um palácio de mármore branco que foi construído em 1653 na cidade de Agra, na Índia.
Na verdade, trata-se de um mausoléu erguido para homenagear e manter viva a memória da esposa favorita do príncipe Kurram, posteriormente nomeado Shah Jahan "O Rei do mundo", quando de sua coroação.
Dizem que Kurram viu sua amada Aryumand Banu Begam pela primeira vez aos 15 anos de idade, tendo-se passado cinco anos sem que pudessem sequer se ver.
No dia do casamento o nome dela foi alterado para Mumtaz Mahal, ou "A jóia do palácio", pelo próprio príncipe.
Assim viveram até que ela, aos 39 anos e ao dar à luz seu 14º filho com o príncipe, faleceu.
Inconsolado, fez com que o reino inteiro acompanhasse seu luto por dois anos. Nesse período não houve música, festas ou celebrações de espécie alguma em todo o reino.
O príncipe Shah Jahan ordenou então que fosse construído um monumento sem igual, para que o mundo jamais pudesse esquecer.
Não se sabe ao certo quem foi o arquiteto, mas reuniram-se em Agra as maiores riquezas do mundo. O mármore fino e branco das pedreiras locais, jade e cristal da China, turquesa do Tibet, lapis lazulis do Afeganistão, ágatas do Yêmen, safiras do Ceilão, ametistas da Pérsia, corais da Arábia Saudita, quartzo dos Himalaias, âmbar do Oceano Índico, além da utilização de uma manada de mil elefantes para levantar os blocos de sustentação.
Na penumbra, a câmara mortuária está rodeada por finas paredes de mármore incrustado com pedras preciosas que formam uma cortina de milhares de cores.
A sonoridade do interior amplo e elevado é triste e misterioso, como um eco que soa e ressoa sem nunca se deter.
O monumento fez com que esse grande amor e também o grande sentimento de perda que o sucedeu, fossem conhecidos no mundo inteiro e comentados até hoje.
Fico pensando se esse príncipe foi capaz de demonstrar em vida à sua amada, o grande amor que demonstrou após a sua morte.
Fico pensando que quero um amor que seja escancarado enquanto eu posso desfrutá-lo, porque depois que eu me for, de nada me valerá.
Fico pensando na música do Renato Russo que diz que "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há".
O Taj Mahal é lindo, sua história é estupenda e o amor que o permeou é maravilhoso demais!
Mas eu não preciso de um Taj Mahal, quero apenas ser a "jóia do palácio" de alguém...
Ou será que não?

Cura das Emoções


Eu normalmente me considero uma pessoa consciente de mim mesma, que presta atenção aos sinais que apresento, sejam eles físicos ou emocionais.
Há algum tempo venho estudando um pouco a respeito de emoções: suas origens, manifestações e significados.
Confesso que me atrapalho um pouco com as minhas porque elas, quando vêm, chegam com toda a intensidade e às vezes numa profusão de fazer medo...
Absolutamente caótico!
Já experimentei leituras diversas, conversas com gente especializada, mas hoje (a conselho da minha querida amiga Danielle) procurei a yoga, levada por minha amiga Verônica.
Quem me conhece sabe que não sou muito adepta de exercícios físicos, preferindo os mentais, mas de qualquer modo eu tinha que tentar outros caminhos complementares porque, até hoje, os resultados ainda não se mostraram satisfatórios.
Cheguei de mansinho, estendi minha esteirinha no chão, fiz cara de séria.
Aquelas expressões indianas somadas ao cheirinho de incenso me fizeram sentir um pouco patética, já que eu sempre tirei sarro dessa coisa pseudo-oriental.
Começamos a aula e eu lá, só pensando em fazer o melhor possível dentro da minha pouca elasticidade corporal e ver se me sentia um pouco melhor, menos conturbada.
A aula foi indo e eu acompanhando.
Lá pelas tantas, comecei a sentir muito calor. Como eu estivesse respirando muito profundamente, sentia também uma certa tontura, minha cabeça rodando.
Insisti e daí foi a vez do meu estômago se manifestar, trazendo um enjôo forte à tona, como se eu tivesse alguma coisa pra pôr pra fora.
Achei que parar SÓ por causa disso seria coisa de "mulherzinha", coisa que eu não sou!
Me explico: me considero Mulher (com M maiúscula mesmo) e não mulherzinha no sentido fraco e frágil da palavra.
Bom, no meio de um outro exercício fui novamente pega desprevenida e lágrimas começaram a brotar dos meus olhos.
Uma sensação de fragilidade, de não saber as respostas certas, de nem saber ao certo aonde eu to indo me assaltou e eu ali, firme e forte no exercício físico, fraca e frágil no exercício emocional.
Jamais imaginei que pudesse ser pega assim desse jeito no meio de uma aula de yoga ou do que quer que fosse.
Confesso que não foi agradável, mas foi como se estivesse começando a destampar uma área que esconde uma ferida e que será, finalmente, curada.
Para aqueles que como eu, estão saindo bravamente à procura de CURA, recomendo a tal da yoga (importante saber quem é o profissional que a ministra) e também um livro e uma palestra disponível na internet.
O livro chama: O LIVRO DAS EMOÇÕES – autora Bel Cesar (Ed. Gaia)
E a palestra é feita pelo psicólogo Marco Aurélio Bilibio e chama: DESINTOXICANDO-SE DAS EMOÇÕES VENENOSAS (http://pensandozen.blogspot.com/2009/04/piscologia-budista.html)
No mais, sorte, paz, saúde e harmonia a todos nós.
E aguardem mais relatos dessa minha nova empreitada.
Vamo que vamo!
Shantiii....

Dia das Crianças


Ontem à noite fui a uma festa.
Aniversário de uma amiga que abriu sua casa perto da praia da Joaquina, reunindo pessoas de nacionalidades diferentes (típico da Ilha da Magia), de idades e gostos diversos, além de muitas crianças.
No meio daquela profusão de gritinhos e de correria infantil, meu filho Peter aparecia de vez em quando.
Pra falar a verdade, acho que a turma das crianças estava de divertindo muitíssimo mais do que a turma dos adultos, pretensos "donos" da festa!
Lá pelas tantas, um amigo músico empunha seu violão pra começar a cantoria. Enquanto esperávamos as pessoas se acomodarem perto da roda, meu filho toma o violão emprestado.
Achei graça, porque ele vem tomando aulas de guitarra e ainda mal domina o instrumento.
Violão então, ele nunca tentou tocar.
Pois bem, o menino não só pegou o violão na maior cara dura como ainda por cima saiu tocando uma música do Guns and Roses: Sweet Child of Mine!!!
Fiquei olhando aquilo meio besta... era como se estivesse vendo aquele menininho pela primeira vez.
Eu, na idade dele – 9 anos, jamais tive a coragem de me expor assim, principalmente diante de adultos.
Vi ali um ser humano cheio de confiança, de vontade de tomar seu lugar no mundo e me orgulhei muito de quem ele é.
Neste Dia das Crianças, deixo aqui a minha homenagem a meu filho Peter.
Não como criança, mas como ser humano que ele já é.

Céu no Ibira



Como já comentei, fui ao show da cantora Céu em São Paulo, no Auditório Ibirapuera.
Pra quem ainda não conhece o seu trabalho aqui vai uma pequena amostra, numa apresentação no Programa Altas Horas, dos meus amigos Serginho Groisman, Dani, Cidinha, Juba, Ritinha, Tom e Mainha!
Aproveito e mando beijos agradecidos por termos passado momentos tão prazerosos em nosso último encontro.
Bjo gde!
Saudades...

Amores Tóxicos



Toda manhã, depois de tomar o café e levar meu filho mais novo à escola, sento diante do meu computador para ler as notícias.
Já me habituei aos jornais eletrônicos e passeio com desenvoltura pelas páginas do Estadão, da Folha de São Paulo e do Diário Catarinense.
Entre tantas notícias que li, noto que mais uma vez noticia-se um caso de duplo homicídio em que alguém abandonado, não conseguindo lidar com a perda, mata o outro e se mata em seguida.
O tom da notícia é de frieza e distanciamento, como se o ocorrido pertencesse a um mundo surreal, onde pessoas estranhas e diferentes cometem esse tipo de coisa.
Me entristeço ao pensar que esse mesmo casal talvez tivesse tido destino diferente, caso tivesse tido a sorte de jamais se encontrar.
Às vezes a sorte maior reside no fato de não encontrarmos o grande amor de nossas vidas, contentando-nos com a alegria fugaz e cotidiana de um amor de menor magnitude, mas com maior vocação para nos fazer felizes.
O cinema, a literatura e a música nos incitam a buscar o maior amor possível, the big one, a paixão mais avassaladora do cosmo como se, sem ela, não fôssemos capazes de alcançar o nirvana de nossa existência, como se, sem ela, não passássemos de um arremedo de seres humanos, deixando de experimentar as delícias e a plenitude da vida.
Com isso incutido, saímos por aí com nossos radares ligados e fazendo bip bip à menor oportunidade de fazermos um upgrade em nossa escala emocional: será que aquele cara é mais romântico do que o meu namorado? Será que eu me sentiria mais plena se namorasse com ele? E com aquele outro, eu seria mais valorizada? Voltaria a me sentir mais bonita e atraente?
O amor idealizado é fatal e inevitavelmente mais intenso e maravilhoso que o real.
Ele pode ser perfeito, uma vez que se encontra em condições perfeitas, longe da oxidação que corrói o amor real e cotidiano.
Nele projetamos com riqueza de detalhes tudo aquilo que imaginamos precisar e nos apaixonamos por nosso próprio ideal. A pessoa escolhida é apenas um avatar daquela que foi idealizada por nós, servindo apenas de invólucro material que dá forma àquele ser etéreo.
Trazemos assim aquele ser criado, verdadeiro Frankenstein do Amor à vida!
Um ser criado, remendado, reformado, idealizado, que jamais caberá no corpo de uma pessoa de carne e osso.
Estamos cegos, apaixonadíssimos, perdidos naquele mundo criado por nós. Somos, ao mesmo tempo, algozes e vítimas.
Na ânsia de estabelecer a conexão com o outro o atropelamos e amamos sozinhos, sem nos conectar. Sequer percebemos quem é o outro que está ali.
Azar...
Sorte teria sido jamais encontrar alguém que aparentasse caber em nossa insana fantasia.
Teríamos seguido em frente, acordado de manhã, tomado o café, lido o jornal, saído pro trabalho e sido felizes, combinando o cineminha da noite de mãos dadas com um ser real, às vezes um chato, outras vezes sensacional... igual a nós.
Quando temos a má sorte de encontrar um outro que pareça caber em nossa fantasia amorosa, que pareça servir de avatar pra esse ser mitológico que habita nossas mentes...ah, quando isso acontece, a gente percebe que dançou!
E dançou uma dança solitária, feita de um só, na ilusão de termos encontrado um parceiro.
Daí duas pessoas normais que até então passaram a vida pegando ônibus, cumprimentando o porteiro, assistindo TV aos domingos, ao serem envenenadas e alteradas por um amor tóxico, se transformam e se transfiguram, tornando-se monstros irreconhecíveis, sem controle de seus atos e de suas emoções.
Há encontros que são daninhos, que intoxicam, que fazem mal e que podem matar.
Se você reza, reze pra nunca encontrar algo assim. Reze pra ser feliz com o amor que você tem ou que poderá ter em condições normais.
Mas se você já encontrou um assim, nem reza mais ajuda. É caso de UTI. Saia correndo e procure ajuda profissional (psicológica, médica) porque entrou em área de risco desconhecida e perigosa, área de teste nuclear, onde não se sabe as conseqüências que virão.
Há amores e em geral são muito bons... desde que não sejam tóxicos.

Lugares Comuns



Todas as pessoas são iguais, todos os caminhos são os mesmos, levando ao mesmo lugar...
Nascemos e morremos do mesmo jeito.
Percorremos a vida diária de forma muito parecida.
Choramos, crescemos, amamos, brigamos... tudo igual.
Andamos juntos na grande manada, ora correndo na frente, ora ficando pra trás, empurrando os que nos fazem sombra e buscando proteção nos que parecem pacificar.
De onde viemos, pra onde vamos?
Nenhum de nós pode assegurar.
A dor que me dói, dói igual em você e é a mesma que já doeu nos avós dos nossos avós, em situações tão parecidas.
Não há nada de novo debaixo do sol... Nada!
Decidi partilhar com a manada a dor e o amor que levo no peito, pois não trago nada diferente que possa me envergonhar.
Se vamos juntos vivendo a mesma vida, por que não partilhar?
Por que fechar a porta da alma e se abrir pra solidão?
Quando divido com o outro o que me vai pelo peito, faço contato e me sinto menos só.
Quando ouço do outro o que lhe vai pelo peito, estendo minha mão e o faço menos só.
Tantas pessoas, alguns tantos caminhos, lugares comuns numa vida só.

Sons Construídos

Sons 9


Esse é o meu amigo Ricardo Botter Maio e os instrumentos que construiu para o trabalho que desenvolve com crianças portadoras de necessidades especiais, em Campinas.
São instrumentos feitos com latas (latimba, ou kalimbalata),pisos,cordas de contrabaixo fixadas em madeira e outros materias recicláveis.
Lindo trabalho!

Sampa


Cheguei à cidade sábado de manhã.
O céu nublado acenava dizendo que nada mudara nesses últimos anos. Ou pelo menos, não mudara tanto assim.
Senti a nostalgia de uma vida passada aqui e uma ponta de tristeza ao lembrar que meu coração já não pertence a ela com exclusividade.
Parte dos meus amores em Sampa. Parte em Floripa.
Revi meu irmão caçula com alegria e partimos pra encontrar sua família no café da manhã.
Prédios novos e bonitos atulhavam a paisagem. Escolas, bares, shopping centers, tanta coisa.
Uma criaturinha linda e inteligente nos aguardava em casa: meu sobrinho João Pedro.
Esperto, com pouco mais de 2 anos, me sondou primeiro antes de fazer amizade.
Há muito tempo queria ter estabelecido esse contato.
Passamos o fim de semana conversando, saindo por aí.
Tive o prazer de rever minha amiga Danielle que me levou ao show da cantora Céu, no lindo Auditório Ibirapuera. Lindo show, ótimo papo, boas risadas.
Hoje é segunda. A cidade se agita. Vou sair por aí dirigindo pelas ruas que conheço tão bem.
Ainda há muito que fazer e muitos a quem rever.
É bom estar aqui. Mas é bom saber que existe Floripa.

The Path is Clear



Esse foi o primeiro show que assisti na minha vida.
O ano era 1977. A cidade, São Paulo.
Mais precisamente no Ginásio do Ibirapuera.
Eu tinha então 14 anos e me apaixonei por rock progressivo ali.
Phil Collins na bateria e também nos vocais..
E essa maravilhosa música "Firth of Fifth".

The path is clear
Though no eyes can see
The course laid down long before.
And so with gods and men
The sheep remain inside their pen,
Though many times theyve seen the way to leave.

He rides majestic
Past homes of men
Who care not or gaze with joy,
To see reflected there
The trees, the sky, the lily fair,
The scene of death is lying just below.

The mountain cuts off the town from view,
Like a cancer growth is removed by skill.
Let it be revealed.
A waterfall, his madrigal.
An inland sea, his symphony.

Undinal songs
Urge the sailors on
Till lured by sirens cry.

Now as the river dissolves in sea,
So neptune has claimed another soul.
And so with gods and men
The sheep remain inside their pen,
Until the shepherd leads his flock away.

The sands of time were eroded by
The river of constant change.

Sem Anestesia


O despertador tocou na hora de sempre. Ela já estava acordada.
Mal dormira durante a noite, tentando fugir dos pesadelos que se repetiam.
Olhou pela janela querendo encontrar tudo escuro, mas foi ofuscada pela luz da manhã.
Queria poder deixar-se na cama, lacrada no escuro do quarto, negando a vida que insiste em existir.
Ouviu os primeiros sons matinais: pratos e xícaras na cozinha.
Seu estômago doía forte, como se acabasse de ser golpeado.
Se arrastou pela escada procurando no bolso o seu melhor sorriso.
Queria tanto saber se toda essa dor acabaria um dia...
Tomou um gole do café forte e amargo.
Outra pontada no estômago.
A vida apresentada ao vivo, sem ensaio prévio, nem anestesia.
Olhou para as plantas da sala. Apesar de terem sido esquecidas, ainda lutavam por vicejar resistindo à falta de cuidado. Parecidas com ela.
Só queria que alguém garantisse que essa dor, um dia, ia acabar.

When Love Takes Over

A-do-rei essa música!
Ela dispensa comentários...

Meu Torcicolo de Estimação



Algumas pessoas têm cães de estimação. Outras têm gatos.
Eu tenho um torcicolo.
Não é um torcicolo assim fiel. Ele é meio igual à gato vira-lata: vai e nunca se sabe quando volta, tipo namorado canalha, sabe?
Pois então, meu torcicolo tinha sumido há vários meses.
Cheguei até a pensar que tinha me abandonado de vez.
Mas, que nada, ele voltou e cheio de vontade de ficar!
Preciso arrumar outro troço de estimação...

Fat Barbie



Hoje recebi um email da minha amiga Fabi, com imagens fictícias de alguns personagens em "idade avançada".
A mais engraçada foi, sem dúvida, a da Barbie.
Gorda, relaxando no quarto da Barbie, sobre a cama da Barbie, teclando no notebook da Barbie, acompanhada de batatas fritas e de um copo de refrigerante.
Já pensou que maravilha?
A Barbie curada da bulimia e/ou anorexia da juventude, se lixando pra opinião dos outros e divorciada daquele chato do Ken?
Adorei...

One Woman Show

No meio de trabalho em que me localizo, Comunicação e Mídia, há uma profissional que é um verdadeiro show.
Rosana Hermann é uma das roteiristas e redatoras mais criativas e engraçadas que conheço. Fez parte de inúmeros programas de sucesso, no Rádio e na Televisão.
Tive a oportunidade de trabalhar com ela na produção de um Especial na TV Record e, desde que moro em Floripa, tenho acompanhado seu trabalho de longe.
Noite passada, enquanto eu tentava driblar a insônia que não costuma me acometer, saí navegando na rede e deparei com um Vídeo Curriculum hilário dela.
Dá só uma olhada:

Vento Sul



Já disse que a Ilha da Magia periga um dia sair voando com o vento.
Hoje, por exemplo, entrou um Vento Sul fortíssimo.
Como paulistana que sou nunca tive a menor idéia do que seja um Vento Leste, Sudoeste ou Sul.
Vento era vento, oras, despenteia e levanta poeira.
E ponto final.
Isso até vir morar numa ilha no sul do Brasil.
O tempo aqui muda muito e muito rápido.
Hoje, quando acordei, chovia canivete e o ar estava abafado.
No meio da tarde o tal Vento Sul entrou e agora posso ouvi-lo assobiando e uivando, batendo portas e janelas, igual ao Lobo Mau que bufava tentando derrubar a casa dos Porquinhos.
E ficou frio. Geladíssimo.
Lembrei do filme "O Amor Não Tira Férias" (Cameron Diaz, Jude Law e Kate Winslet, lembra?).
Foi nele que ouvi uma frase assim:
- Dizem que quando o vento Santa Ana sopra, tudo pode acontecer...
Parafraseio o diálogo do filme e digo:
- Quando o Vento Sul entra me convenço de que posso fazer tudo acontecer...
Senti meus pensamentos sendo varridos como folhas, desalinhando muito mais que o meu penteado, levando embora o que já havia morrido e ainda jazia ali.
Sua força pondo à prova as decisões que eu havia tomado, fazendo com que só as mais firmes e resolutas restassem em pé.

Friends


Apesar de não ser noveleira, confesso que sou chegada numa sitcom ou comédia de costume, numa tradução livre.
Mas não gosto de todas, veja bem. Gosto de algumas.
Dentre essas, Friends é uma das minhas preferidas.
Já vi todos os episódios, mas confesso que não resisto a dar boas risadas quando torno a vê-los.
O mesmo acontece quando revejo I Love Lucy, quando Lucille Ball se comporta como uma criança crescida complicando a vida de Desi Arnaz, no papel de Rick Ricardo.
Talvez seja esse tom inocente, infatilóide, o que me atrai nos dois seriados. Talvez seja o mesmo non-sense que faz com que a criançada ria à solta quando vê Chaves ou Os Trapalhões.
Bom, a novidade não é a série em si, que terminou em 2004, mas a notícia de que vai voltar em forma de longa-metragem em 2011.
Os seis amigos estarão de volta e eu desejo que consigam reproduzir nas telas de cinema, a mesma sintonia que tinham na TV.
Por cerca de duas horas vamos poder reencontrá-los como se fossem nossos amigos de colégio, com os quais passávamos horas à toa, falando abobrinha sobre qualquer coisa, rindo de montão e então voltávamos pra casa leves, leves...

Bonito



Ontem, fui dormir chateada.
Pensando nas coisas que tenho que resolver e que venho adiando há tempos.
Qualquer poda prescinde de corte. E corte dói.
Fui para a cama, mas não pude dormir.
Decido navegar na internet e acabo vendo um clipe do Jarabe de Palo, que eu ainda não conhecia.
A letra me inspirou, a alegria me contagiou e me senti mais leve, pronta pro sono.
Porque no final das contas, tudo pode ser bonito quando se está bonito.
Por dentro...

Bonito, todo me parece bonito
Bonita mañana
bonito lugar
bonita la cama
qué bien se ve el mar
bonito es el día
y acaba de empezar bonita la vida
respira, respira, respira

El teléfono suena, mi pana se queja
la cosa va mal, la vida le pesa
que vivir así ya no le interesa
que seguir así no vale la pena
se perdió el amor, se acabó la fiesta
ya no anda el motor que empuja la tierra
la vida es un chiste con triste final
el futuro no existe pero yo le digo...

Bonito todo me parece bonito

Bonita la paz, bonita la vida
bonito volver a nacer cada día
bonita la verdad cuando no suena a mentira
bonita la amistad, bonita la risa
bonita la gente cuando hay calidad
bonita la gente que no se arrepiente
que gana y que pierde, que habla y no miente
bonita la gente por eso yo digo...

Bonito, todo me parece bonito

Qué bonito que te va cuando te va bonito,
qué bonito que te va

Bonito, todo me parece bonito
La mar la mañana, la casa, la sombra,
la tierra, la paz y la vida que pasa.
Bonito, todo me parece bonito.
Tu calma, tu salsa, la mancha en la
espalda, tu cara, tus ganas el fin de semana

Bonita la gente que viene y que va
bonita la gente que no se detiene
bonita la gente que no tiene edad
que escucha, que entiende, que tiene y que da

Bonito Portet, bonito Peret
bonita la rumba, bonito José
bonita la brisa que no tiene prisa
bonito este día, respira, respira
Bonita la gente cuando es de verdad
Bonita la gente que es diferente
Que tiembla, que siente
Que vive el presente
bonita la gente que estuvo y no está.

Bonito, todo me parece bonito.

Qué bonito que te va cuando te va bonito,
qué bonito que te va.
Qué bonito que se está cuando se está
bonito qué bonito que se está.

Bonito, todo me parece bonito

O Espelho


Manhã de sol. Fria, mas de sol.
Ainda a tal da primavera teimosa, ensaiando pra pegar no tranco igual motor de carro velho.
Acordo de sopetão, já na pegada de sair vestindo o jeans, calçar o tênis e levar menino pra escola.
Côo o café. Faço a torrada. Espalho manteiga controlando o relógio.
Pego as chaves do carro e "visto" o rayban, já que ainda nem tive tempo pra ver minha cara no espelho.
Levo. Volto. Sento. Acordo.
Aos poucos me dou conta do meu próprio corpo e da necessidade de cuidar de mim.
Subo pro banheiro. Acendo as luzes. Me olho. Estarreço.
- Caraca! De onde saíram tantas dobras nas pálpebras? E essas manchinhas no nariz? Mas ontem eu não tava assim...ou tava?
Ah não, é que ontem eu tava usando maquiagem, corretivo, blush, rímel, praticamente um photoshop!
Lavo o rosto com água gelada. Quem sabe isso revigora um pouco a minha pele?
Lembro de usar o protetor solar nível über-protection antes do hidratante.
Agora sim vou remoçar, afinal já é um começo.
Olho pras sobrancelhas. Até que estão razoáveis.
Decido conferir à luz do sol que não mente jamais, tipo o espelho mágico da rainha má, a tal madrasta da Branca de Neve, lembra?
Tsc, tsc. Nada feito. Tem que pinçar uns cabelinhos que nasceram abaixo da linha definida, os quais eu não tinha visto porque não tava usando meus óculos de grau.
Aliás esse é um dilema que só as mulheres podem entender: se tiro os óculos tenho acesso às sobrancelhas, mas não enxergo os pêlos. Se ponho os óculos a armação atrapalha o acesso. Um saco!
Fico paralisada pensando que esse enigma ta parecendo com o do ovo e da galinha (quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?), ou dos biscoitos Tostines (são mais fresquinhos porque vendem mais ou vendem mais porque são fresquinhos?).
Dou jeito nisso o melhor que posso. SEM usar os óculos, evidente.
Penso que precisava de tempo pra fazer mil outras coisas: hidratar o cabelo, fazer peeling no rosto, fazer a mão, fazer o pé, caminhar 40 minutos por dia.
Aliás, caminhar não. Melhor correr, porque correr traz mais resultado e em menos tempo. Ah, e também beber água, já que eu sempre esqueço disso.
Desço pra cozinha em busca da água.
Abro a geladeira.
Me deparo com duas caixas de ovos (comprei sem ver que não precisava), leite, pão, uns tomates, mas nada que possa se transfigurar num esboço de almoço saudável e nutritivo. Daqui a algumas horas terei bocas famintas egressas da escola pra alimentar. E não tenho nada pronto.
Rapidamente desisto do plano de cuidar de mim mesma em favor do estômago dos meus filhos.
Fazer o que? A vida é assim!
Pelo menos no Dia das Mães sempre recebo cartões dizendo que eu sou a mãe mais linda do mundo mesmo.
E o pior é que, por alguns minutos, eu até acredito.

De Tudo Um Pouco


Saí de carro no meio do maior vendaval do ano.
Por pouco a Ilha da Magia não saiu voando!
Abasteci, calibrei pneus (coisa que ninguém em casa tem a lembrança de fazer) e estava indo comprar ingressos pra um espetáculo de dança.
No caminho, deparei com um anúncio no parabrisa traseiro de um carro à minha frente.
Sou daquelas que não resistem a um punhado de letras juntas, vício adquirido desde os 6 anos de idade, quando aprendi a ler só pra ficar importunando minha mãe enquanto ela dirigia:
- Mãe, o que significa FI-RES-TO-NE???
Enfim, parece que eu ainda to nessa, quarenta anos depois (!) e ainda fico lendo tudo, com a diferença de que agora não importuno mais ninguém.
Bom, o anúncio do carro da frente estava escrito à mão, e a letra era pequena. Mas a minha curiosidade tava muita e se eu não conseguisse ler logo, ia acabar batendo.
Quando já estava quase beijando "o rabo" do carro da frente, consegui finalmente ler o que estava escrito.
Dizia assim:
Luzia.
Faço:
- conserto de roupas
- depilação
- kibes de frango
Telefones: 0000-0000/ 1111-11111/ 2222-2222

Cara! Eu ia bater o carro por causa de uns kibes de frango! Depilados e de roupinha consertada!
Achei graça pra caramba! Eu e a Laura (minha filha) rimos muito, mas depois pensei que a Luzia ta tentando agilizar o lado dela. Se ela sabe consertar roupa, depilar e fazer kibe de frango, qual o problema em anunciar?
Afinal, quem não é visto não é lembrado e a propaganda é a alma do negócio.
Depois disso fiquei pensando em mim e no anúncio que eu teria que fazer pra colar no parabrisa do meu carro. O que eu escreveria nele?
Algo tipo:
Luciana.
Faço:
- assobio e chupo cana
- dou nó em pingo d'água
- lavo, passo, encero mas odeio limpar vidros
- corro pra cobrir conta de banco
- produzo pra TV qdo tenho o que produzir
- escrevo um monte de besteirol
Telefones: 0000-0000/ 1111-1111

Hmm, acho melhor não. A Luzia ta podendo mais que eu!

Mais Luz


Fazia um tempo que o visual antigo do blog estava me incomodando: muito escuro, intimista, soturno.
Ele era reflexo do meu movimento interno, meio recluso, meio sinistro, bipolar, sei lá...Mas agora a coisa mudou, porque no fundo a coisa sempre muda!
O inverno está indo embora, a primavera (teimosa e empacada como um burro chucro!) uma hora engrena e os raios do sol vão entrando devagar, removendo o mofo, arejando as frestas, trazendo com ele o desejo de brotar de novo, de espalhar meus galhos por aí pra ver se de repente, não floresço outra vez!
Agora estou mais clara, mais luminosa e o meu diário virtual também.
Vontade de abrir as janelas, de convidar pra festa, de servir o vinho, ouvir música bem alto, dançar descalça e rir....e gargalhar!
Que venha o verão!

Meu Amigo Poeta


Tenho um amigo querido, Ricardo Botter Maio que, como se já não bastasse ser um extraordinário amigo, é também músico e poeta.
Amante dos sons e dos silêncios, dos encontros e das solidões, costumava viver em sua casa no alto da Montanha dos Vagalumes, acompanhado dos cães Sting e Paco.
Respeitador da cadência dos tempos, sabe ouvir em silêncio e sabe quando falar. Melhor que isso, sabe o que falar.
Sensível escreveu entre outras coisas, o Conto do Silêncio, cujos trechos salteados reproduzo abaixo:
"Perto dali um casal se olha profundamente em silêncio, como se todas as palavras que sempre quiseram ser ditas estivessem surgindo daquele olhar...
Também o abraço afetuoso dos longos braços e mãos daquele olhar, que os relógios e calendários não conseguiam classificar...
A este quadro juntavam-se os longos e calmos olhares de sempre...
A chuva chega e eles continuam em silêncio a observá-la, enquanto descansam e adormecem as legiões de palavras à sua volta, espalhadas pelo chão, sobre os móveis ou sobre o cão..."

Lembra do que é amar em silêncio? Quando as palavras não são capazes de traduzir aquilo que se sente?
Lembra de ter tempo pra se olhar com calma? E conseguir realmente se ver?
Lembra de olhares que têm braços e mãos, pra abraçar o ser olhado?
Lembra de observar a chuva com seu amor, sem que hajam palavras a serem ditas?
Meu amigo poeta, ao que parece, lembra.
E eu agradeço por me fazer lembrar também.

Paixão e Criatividade


Há muito o que se pensar à respeito, mas uma coisa é fato: a arte é a única alternativa à loucura...

(O artigo que segue foi publicado na Revista Mente e Cérebro, cujos créditos estão abaixo do texto.)

"A paixão se instala onde surge Eros, um amor a serviço deste deus ciumento e possessivo. O tormento e o prazer vêm juntos, pois este desejo, às vezes incontrolável, brota da falta.
É fascinante observar (e sentir) no amor/Eros uma força inconfundível de prazer num encontro amoroso aparentemente único, carregado de momentos de plenitude, porém sempre acompanhados de forte angústia.
Quem é o objeto da paixão? Talvez aquele que traga a esperança do resgate de um elo perdido. A psicanalista Melanie Klein, inspirada em Freud, diz que o bebê, desde o seu nascimento, sofre uma angústia de morte diante de sensações como dor, fome e frio. Sua fragilidade física e biológica o leva ao desamparo emocional. O encontro com o prazer de ser acalentado e cuidado gera uma sensação de bem-estar vivida como plena. O mundo para um bebê seria traduzido por Klein em termos absolutos: a gratificação gera sensações prazerosas totalmente boas, assim como a frustração leva a sensações de dor, ameaça e sofrimento. “Bom e mau” representariam o maniqueísmo do universo psíquico do bebê em seus primeiros meses de vida.
A paixão faz reviver instabilidades deste vínculo frágil e primitivo de dependência e apego. O escolhido, objeto da paixão, geralmente, é alguém que representa a esperança de alcançar o objeto bom idealizado. Muitas vezes, a pessoa pela qual nos apaixonamos tem atributos sutis, capazes de ativar e trazer para o presente experiências afetivas de modelos da primeira infância. Detalhes como o tom de voz, a forma de olhar ou a textura da pele, por exemplo, podem ser mais importantes como elementos catalisadores da paixão do que outros atributos aparentemente bastante significativos. A imagem e as expectativas valem mais. Daí sua associação com a ilusão. Sensações de entorpecimento, carregadas de fantasias que parecem preencher por completo os enamorados, os levam a perder o apetite e o sono e a diminuir sua capacidade de concentração nas divagações quase surreais.
Mas só existe o desejo quando há a constatação da falta.
Pode-se pensar nas dores da separação como bases psíquicas para a expressão artística e para o trabalho criativo como meio de reparar e atribuir outro significado à dor. As telas de Frida Kahlo, por exemplo, retratam explicitamente seu sofrimento físico e suas perdas afetivas, assim como as obras de Pablo Picasso ou Camille Claudel expõem as angústias de amores difíceis.
Em comum têm o fato de construírem um universo a partir de um mundo interior muitas vezes dolorido. De alguma forma, deve-se a eles toda a gratidão por terem a generosidade de expor ao mundo suas almas sofridas, num movimento criativo de reavaliação que acaba por tocar no âmago de cada um de nós, construir novos paradigmas, traçar sempre um novo olhar para as infinitas e, por vezes, impensáveis possibilidades."

Erane Paladino é psicóloga clínica, coordenadora e professora do Departamento de Psicodinâmica do Instituto Sedes Sapientiae.
http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/a_relacao_entre_paixao_e_criatividade.html

Inspiração


Sabe aquele frase “a beleza está nos olhos de quem vê”?
Pois bem, é possível dizer que a inspiração também.
No Estadão de hoje, li que o publicitário e músico Jarbas Agnelli, inspirado pela fotografia de Paulo Pinto, em que se viam pássaros pousados em fios elétricos, gravou a música que “viu” ali.
E não é que ficou bacana?
Adorei!

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,foto-de-passaros-no-fio-publicada-no-estado-vira-musica,428209,0.htm

Vocação


Nem bem o garoto começa a articular as palavras e os adultos já vêm perguntando:
- E então Fulano, o que você quer ser quando crescer?
E o menino responde coisas como:
- Jogador de futebol, bombeiro, cowboy!
Difícil algum dizer que pretende ser artista de cinema, ainda mais “desses” artistas hollywoodianos, até porque Hollywood fica meio longe daqui.
Peão de obra, então, eu nunca ouvi nenhum moleque incluir na sua lista de opções vocacionais.
Pois não é que o bonitão do Brad Pitt tem uma queda por isso?
O gajo teve a sorte de nascer nos States (digo sorte apenas por ser terra hollywoodiana, note bem!), ter boa pinta, fazer sucesso...mas no fundo, no fundo, o cara é chegado num canteiro de obra, numa pá de pedreiro e nuns bons blocos de cimento.
Ta vendo só?
Isso me faz lembrar do inquietante documentário do cineasta Roberto Berliner: “A pessoa é para o que nasce”.
Ok, Brad, mãos à obra!

O Possível


A vida começa quando a gente deixa de almejar o que é ideal e passa a buscar o que é possível.
Antes disso, o que a gente chamava de vida era só o ensaio dela, a pré-produção do filme em si.
O ideal tem seu espaço no plano das coisas virtuais, no pensamento.
Servindo ora de guia para nortear o caminho a seguir, ora de entorpecente que serve de anestesia quando a dor é muita.
O possível é a vida como ela é.
O possível é onde tudo começa... e termina.
Tenho procurado viver assim, sendo uma mulher, uma pessoa possível.
Acho que até então, eu nunca tinha sido tão bem tratada por mim mesma.
Não se trata de condescendência, mas de justiça.
Sou o melhor possível como mãe, como filha, como amiga, como companheira, como ser humano.
Ao final do dia, congratulo-me por ter tido um dia possível, viável, factível... e pleno.
O ideal estava me matando, me agrilhoando em suas garras cor de rosa.
O possível, mesmo com gosto de terra, é de verdade.

Tédio


O tempo que vaza escorrendo pelo Caos.
Que remonta a tempos que, sem medida, nem existiriam.
Se o ócio é criativo, o que seria o tédio, então?
Tic tac tic tac...
Jogo o relógio fora. Fecho as janelas pra não ver o virar do Sol.
De olhos e ouvidos trancados, aumento o som do pensamento.
Se o ócio é criativo, o que seria o tédio, então?
Em silêncio e no escuro, no vácuo vazio do espaço interno, regurgito e remastigo todas as partículas de matéria a que me expus.
Se o ócio é criativo, o que seria o tédio, então?
Mastigo...engulo...vomito...torno a por na boca...
Preciso desesperadamente classificar cada coisa, cada conceito, fato, imagem, teoria, pensamento, sentimento, intuição.
Corro para a loucura. Só nela há salvação. Só na loucura há lucidez.
Se o ócio é criativo, o que seria o tédio, então?

Solidariedade


Faz frio em Floripa.
A aula começa às 7:30h.
Não importa.
Ninguém chega na hora.
Aos poucos, através da bruma da manhã, vão chegando as pessoas que acorrem para a classe.
Casacos, cachecóis, livros e cadernos.
Apesar disso as janelas permanecem abertas.
A porta, escancarada.
Ninguém quer sentar muito próximo dos outros.
Medo de tosse e de espirro.
Conversas aqui e ali demonstram o interesse no assunto da pandemia do momento.
Todo mundo mostra estar minimamente informado.
Viu no noticiário, o Ministro da Saúde falou.
Ou então, recebeu a informação por e-mail. Leu na internet.
Retração total. Medo, receio.
Se por um lado a crise nos faz desconfiar da própria sombra, por outro nos leva a demonstrar cuidado com a saúde do próximo, mesmo que seja com a intenção de, com isso, estar cuidando da nossa própria.
Se eu partilhar meus conhecimentos com você, se eu cuidar do ar da sala de aula em que estamos, maiores as chances de você estar bem e, com isso, eu também.
Desconfiança e medo gerando empatia e solidariedade.
Profundas lições que podemos tirar dessa nossa vida interconectada de seres viventes de Gaia, o Organismo maior que compreende tudo isso.
Acabo acreditando que cuidar do outro é a mais pura forma de egoísmo.
Saúde!

Abrindo o Coração


Sabe aqueles momentos em que você precisa abrir o seu coração?
Seja por motivo de alegria ou de tristeza, são momentos em que você sente a necessidade de compartilhar aquilo que não é possível guardar só pra você.
Abrir o coração às vezes é dolorido, como no caso da tristeza que precisa ser repartida. É preciso buscar lá dentro o lugarzinho onde o fato se esconde e, sem dó nem piedade, arrancá-lo do seu refúgio a fim de fazê-lo em pedaços, pra que seja mais fácil de carregar.
Meu muitíssimo obrigada aos amigos e amigas que já se dispuseram a levar uma parte dessa carga pesada, ao me ouvir falar e abrir meu coração.
Amo vcs! Valeu, Helo!
Bjos

Rápido Demais


Quando penso que o universo pode ter 13,7 bilhões de anos, que ele está em constante expansão – porque as galáxias estão se afastando umas das outras – e que isso significa que o universo deva ter tido um começo, me sinto sem ar...
O tempo é tão curto, a vida passa tão depressa que não tenho tempo a perder.
Se antes a minha tolerância era pouca, hoje digo que é próxima do zero.
Não tenho tempo pra coisas que não fazem sentido, pra valores que não são os meus, pra pessoas com quem não faço conexão.
Não tenho tempo pra chorar pelo que não vale à pena, pra sofrer inutilmente, pra me preocupar por coisas sem importância e passageiras.
O tempo é curto pra viver a vida, pra beijar meus filhos, pra abraçar meu amor, pra rir da própria vida.
Rir é maravilhoso! Sozinho ou acompanhado! Rir de si mesmo então, é melhor ainda!
Cheguei a uma fase em que já convivo com lembranças. Mas apenas com as boas. As más não são mais lembranças, são esquecimentos!
Trago lembranças maravilhosas de pessoas e de momentos. De momentos em que eu era feliz e sabia!
Por isso estou muito decidida a investir o meu tempo com boas coisas, boas pessoas, com risadas e na construção de lembranças sutis que me farão companhia pelo resto da minha vida.
Tudo é rápido demais, é fugaz.
Tem coisa que não vale à pena...

Jardim de Girassóis


“Os girassóis são as mais felizes das flores e seus significados incluem a lealdade e longevidade. São únicos na habilidade de prover energia vibracional, como um espelho do sol, provendo seu calor e sua luz, invocando sentimentos de calor, conforto e felicidade...”

Vou cultivar um Jardim de Girassóis eternos dentro do meu coração, que é o lugar onde você vai estar pra sempre!

Tributo a Sandra Conti


Há coisas que eu já sei.
Porém há muitas que eu ainda não sei, mas gostaria de saber.
Gostaria de saber, por exemplo, o que faz com que algumas almas se conectem de forma tão profunda e inexplicável, como se sempre tivesse sido assim.
Laços tão fortes e inquebráveis, que parecem sempre ter sido... sem passado, presente ou futuro....apenas sempre...
Me considero uma pessoa de sorte. De muita sorte.
Penso que a sorte tem muitas maneiras de agraciar as pessoas: com dinheiro, com saúde, com afetos... muitas formas!
Eu, por exemplo, tenho sorte em encontrar pessoas. Em me conectar com almas que valem à pena.
Uma dessas pessoas, a quem me foi dado o imenso privilégio de conhecer e de partilhar quase 20 anos de minha vida, foi a minha amiga (ou melhor, minha irmã) Sandra Conti.
Mulher alegre, leonina, cheia de vontade de viver. Melhor amiga de todos os tempos, mãe maravilhosa, profissional de altíssima competência e ética.
Eu e a Sandra nos conhecemos no início dos anos 90, quando ambas fazíamos a produção do Programa Livre, com o Serginho Groisman. Isso quando o SBT ainda funcionava na Vila Guilherme, em São Paulo, bairro sujeito a enchentes avassaladoras e com perfil operário, porém vibrante como sempre são os bairros onde pessoas comuns – como eu e você – vivem e trabalham.
Sandra era editora do Programa. Exigente, organizada, tinha sempre um casaquinho pendurado no encosto da cadeira, coisa de editor de TV, que trabalha em salas com o ar condicionado geladíssimo.
Na época, a Kaká (ou Clara, a filhinha da Sandra) tinha uns 2 ou 3 anos de idade. Meus filhos mais velhos, Guilherme e Laura, idades próximas à dela.
Logo ficamos amigas, tínhamos muito em comum. Além dos filhotes, morávamos no mesmo bairro – Sumaré – e eventualmente íamos pro trabalho juntas.
A Sandra tinha um Chevette marrom meio “usado” nessa época, e às vezes o bichinho não funcionava direito. Mas, se por um lado o carro não era “style”, o figurino da Sandra era impecável. Estilo MTV nos seus primórdios, roupa sempre descolada, customizada por ela que tinha um bom gosto incrível além de dotes especiais com as agulhas de costura.
Ríamos muito. Sempre.
Aliás, sempre foi assim. Não sei dizer o que acontecia, mas quando estávamos juntas, tudo parecia muito gozado e partilhávamos o mesmo senso de humor que às vezes (ou normalmente) não fazia sentido pra ninguém mais!
Coisa de amigas.
Com ela aprendi a admirar flores em casa. A Sandra comprava flores diversas toda semana e você podia encontrá-las em buquês grandes ou pequenos, espalhados pela casa, inclusive no banheiro!
Aprendi também a desfrutar a casa em vez de apenas cuidar dela.
A Sandra sempre tinha uma garrafa de vinho tinto pra abrir para os amigos, ou para ela mesma, ouvindo uma música bacana (que podia ser Simply Red ou Luiz Melodia). Tinha uma sopinha quentinha no inverno, ou um queijo gostoso, ou um bolo com café. Tinha calor humano. Tinha um lar!
Um lar composto por uma mãe e sua filha única. Mas um lar onde todos nós, amigos ou parentes, tínhamos um lugarzinho especial.
As finanças não eram o seu forte. Leonina que era, adorava comprar, principalmente pra Kaká, que sempre se vestiu como uma princesa.
Ela era agregadora. Impossível não se tornar amiga de uma amiga da Sandra, porque o clima era esse mesmo, o de somar, de acrescentar.
Melhor conselheira do mundo, sabia ouvir pelo tempo que fosse necessário e sabia dizer as coisas mais difíceis, da maneira mais suave.
Generosíssima, com seu tempo e também com seu dinheiro, socorreu muitas amigas mesmo quando não solicitada.
Ganhei colo (literalmente) quando passei por um vale profundíssimo em minha vida e formei com ela um laço que nunca vai se quebrar.
Há um mês, soube por ela mesma, que ela estava sofrendo de angina e de hipertensão. Parece que precisava cuidar melhor de si.
Mas que coisa estranha, alguém que cuida tanto e tão bem de todo mundo e que precisa de mais atenção consigo mesma.
Não deu tempo.
Suave, como ela sempre foi, leve pra todo mundo, Sandra se foi sem dar sinal. Não nos deu a chance de cuidar dela, de levá-la a um hospital, de levar canjica pra ela (como ela fez pra mim quando saí da maternidade com meu caçula Peter, a quem ela apelidou de “Tchuco”!), de fazer nada por ela.
Sua falta é insubstituível. Todos que tivemos a sorte de conhecê-la, sabemos disso.
E essa conexão que nós tivemos, vamos continuar tendo. Eu não sei de que forma, não posso explicar como, mas eu posso sentir que ela está presente e que sempre, sempre estará.
A você, minha melhor e mais querida amiga, o meu tributo de amor e admiração, de gratidão eterna.
Muito obrigada por partilhar sua vida comigo.
Eu sempre pensarei em você, com todo o amor e gratidão.
Em paz...

Clapton Is God


Não resisti e comprei a autobriografia de Eric Clapton (sim, porque autobiografias não costumam ser muito honestas!) e confesso que estou gostando muito.
Além de o cara ser um "deus da guitarra", é também muito inteligente e tem uma prosa bacana.
Fora isso, dá pra viajar na história de outros grupos como os Beatles e os Stones.
Recomendo!